O Plano Safra 2024/2025 federal deve ter novo recorde em linhas de crédito rural e juros melhores. Com os efeitos das mudanças climáticas e quedas de commodities no ciclo anterior, porém, a expectativa do setor para esta edição é alta, sobretudo para o seguro de socorro da produção e recursos para investimento.
O UOL Economia entrou em contato com o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), mas a pasta não se manifestou até o fechamento desta edição. Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar informou que só deve se pronunciar na segunda quinzena de junho, quando for feito o lançamento oficial do próximo Plano Safra.
O que o setor espera
Aumento de 26,2% em relação a 2023. Nos bastidores do setor, entretanto, já se fala em um total próximo de R$ 550 bilhões, valor 26,2% maior que os R$ 435,8 bilhões disponibilizados na safra 2023/2024, e até em um aumento que chegue a 30,8% em relação ao ano anterior.
Novo recorde. O montante seria um novo recorde da principal política de financiamento da agropecuária brasileira, que ano passado já havia atingido seu maior índice histórico e apresentado crescimento de 27%.
Atenção aos produtores gaúchos neste Plano Safra. A preocupação com a gravidade das enchentes no Rio Grande do Sul é outro tópico que membros do governo têm deixado escapar em eventos. No último dia 14, durante a apresentação da colheita de grãos 2023/2024 pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o governo federal sinalizou que está prevista atenção especial aos produtores gaúchos neste Plano Safra.
Impacto das mudanças climáticas. Durante a Agrishow, realizada no começo do mês, o ministro Carlos Fávaro, do Mapa, declarou que a produção de 2023/2024 tem sido “uma safra difícil por [conta das] mudanças climáticas” e que o governo daria este ano “total prioridade ao novo Plano Safra”, inclusive com oferta de “juros mais compatíveis” e que evitem levar o setor à inadimplência.
Apoio ao avanço da mecanização no campo. No mesmo evento, o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, disse que o próximo Plano Safra deve “desenhar” um avanço de mecanização para pequenos e médios produtores com a meta de subir de 18% para 70% o uso de maquinários no campo de propriedades familiares.
Novos desafios
Plano safra é um ‘pilar’ para o agro. João Marchesan, presidente da Agrishow e membro da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) disse na abertura da feira que “há 21 anos o Plano Safra tem sido um pilar fundamental para o desenvolvimento agrícola brasileiro” e que os juros controlados para atender a demanda o agro de forma compatível com o retorno são um desafio hoje no Brasil.
Mas governo precisa fazer direcionamentos. Com a chegada do anúncio do Plano e frente às grandes perdas nas culturas gaúchas, entretanto, Pedro Estevão Bastos de Oliveira, vice-presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) afirma que esta edição precisa focar em alguns pontos. “O Plano é sempre muito esperado e estão falando de algo em torno de R$ 550 bilhões em recursos. É bastante dinheiro, mas, basicamente, cobre um terço das necessidades, não cobre tudo. Então cabe ao governo fazer alguns direcionamentos”, pontua.
Valor do seguro é um ponto que precisa ser observado. Segundo o vice-presidente da Abag, o restante dos recursos do setor é dividido entre as trades de financiamento e o capital de giro próprio dos agricultores.”Temos alguns itens que estão prementes, pedindo mais atenção. O primeiro é o seguro. Esse ano o governo colocou R$ 900 milhões para seguro, e o pessoal tem pedido para a próxima safra R$ 4 bilhões, lembrando que a safra 23/24 teve um problema climático muito grande no Brasil”, diz Oliveira.
Necessidade de armazenamento melhor. Outro ponto importante é a armazenagem, uma vez que pede investimentos altos e os juros mais baixos do Safra podem ser um diferencial. “Nós temos um déficit de 120 milhões de toneladas. Isso é um problema muito sério para o agricultor, porque às vezes deixa ao ar livre e perde [colheita] por chuva. Há dois anos que o governo tem colocado muito pouco dinheiro no investimento”, afirma o vice da Abag.
Práticas sustentáveis. Oliveira reforçou ainda que a catástrofe no Rio Grande do Sul deixou “claro para todos” que o Brasil tem um problema climático em mãos. “Ano passado o governo já tinha falado em dar crédito diferenciado para produtores com práticas sustentáveis, esse é um bom caminho, que a médio e longo prazo pode mitigar [efeitos da] mudanças climáticas”, avalia o vice.
Setor aguarda o aceite de proposta. Almir Torcato, gestor corporativo da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo), diz que o setor aguarda o aceite da proposta elaborada pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) em conjunto com as federações, sindicatos, produtores e entidades setoriais. O documento, entregue em 24 de abril ao ministro Fávaro, segundo Torcato, solicita, entre outros pontos, “R$ 570 bilhões em recursos financiáveis para a temporada, um aumento de 30,8% em relação aos R$ 435,8 bilhões anunciados para o ciclo 2023/24, destinados a produtores de todos os portes (pequenos, médios e grandes)”.
Valor é essencial para manter o desenvolvimento do setor. Para o gestor, esse aumento no volume financeiro é agora essencial para manter o desenvolvimento do setor, bem como a equalização dos juros, pois “linhas de crédito com taxas em dois dígitos pesam para o produtor”.
Fundo de Catástrofe. Em relação ao Rio Grande do Sul, o Oliveira diz que a tragédia evidenciou a necessidade de regulamentar a Lei Complementar 137/2020, que cria o Fundo de Catástrofe, para que os recursos sejam disponibilizados com maior brevidade, minimizando grandes prejuízos e permitindo a retomada da produção. “Além disso, os recursos devem ser aplicados em novas tecnologias e práticas de manejo. Este tipo de demanda é crucial para aumentar a resiliência do setor agro frente às mudanças climáticas e garantir a continuidade da produção em situações adversas”, reforça.
Retomada em 2024
Crise no setor. Sobre o quadro atual de crise do setor, o economista Felipe Borba, assessor de investimentos da RP Capital, explica que vários setores da cadeia, principalmente os de insumos e implementos, tiveram aumento significativo de estoques com custos maiores em relação ao preço praticado no mercado. “O que torna inviável manter as margens e sustentar as operações”, afirma Borba.
Impacto das chuvas. A queda significativa na cotação dos grãos sem que o custo de produção tenha caído na mesma proporção somaram-se, então, ao cenário das condições climáticas desfavoráveis, como atraso das chuvas nas principais regiões produtoras, levando a um plantio tardio e até ao replantio.
Concessão de crédito. Já os períodos de chuva fora de época também prejudicaram a colheita e pioraram “a qualidade do produto”, causando descontos nos preços de venda e menor retorno. Para Borba, provavelmente, o governo precisará utilizar recursos de bancos públicos, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e também incentivar bancos privados a oferecerem melhores condições para concessão de crédito.
Fonte e Créditos: Uol Economia
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